Janela partidária fecha com reviravoltas e redesenha forças políticas em Mato Grosso do Sul
O encerramento da janela partidária em Mato Grosso do Sul foi marcado por intensa movimentação nos bastidores políticos e mudanças inesperadas envolvendo lideranças de destaque. No último dia do prazo, articulações de última hora redefiniram estratégias e impactaram diretamente a formação de chapas para as eleições.
Entre os principais movimentos, o deputado federal Geraldo Resende acertou filiação ao União Brasil em negociação direta com o presidente nacional da sigla, Antônio Rueda. A decisão provocou reação interna e chegou a gerar impasse com a direção estadual do PP, já que a chapa da federação partidária União Progressista era considerada fechada.
Com a intervenção da direção nacional, a federação recuou para viabilizar a entrada de Resende, o que teve efeito imediato: o ex-secretário estadual Jaime Elias Verruck desistiu de ingressar no PP para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Outras mudanças relevantes também marcaram o fechamento da janela. O ex-secretário da Casa Civil Eduardo Rocha deixou o MDB e se filiou ao PSDB. Já a ex-secretária de Cidadania Viviane Luiza saiu do PP e também ingressou no PSDB, onde passa a ser um dos nomes mais fortes da legenda.
No mesmo cenário, Jaime Verruck passou a viabilizar filiação ao Republicanos, que já conta com o deputado federal Beto Pereira como principal nome na disputa por vaga na Câmara. Na federação adversária, além de Geraldo Resende, figuram nomes como a ex-deputada federal Rose Modesto e os deputados federais Luiz Ovando e Dagoberto Nogueira.
Segundo bastidores, a dificuldade de viabilizar eleição dentro de chapas mais competitivas pesou na decisão de alguns nomes, como Viviane Luiza e Jaime Verruck, que recuaram de suas estratégias iniciais ainda nas últimas horas do prazo.
Nova configuração na Assembleia
A janela partidária também provocou forte impacto na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Dos 24 deputados estaduais, apenas quatro permaneceram no mesmo partido, evidenciando o alcance das mudanças. O troca-troca deixou ao menos duas siglas sem representação na Casa.
Com isso, a nova composição das forças políticas ficou definida da seguinte forma:
- PL: Coronel Davi, Neno Razuk, Mara Caseiro, Zé Teixeira, Paulo Corrêa, Lucas de Lima e Marcio Fernandes (7 deputados)
- PSDB: Lia Nogueira, Pedro Caravina, Paulo Duarte e Jamilson Name (4 deputados)
- Republicanos: Antônio Vaz, Renato Câmara, Roberto Hashioka e Pedro Pedrossian Neto (4 deputados)
- PT: Gleice Jane, Pedro Kemp e Zeca do PT (3 deputados)
- PP: Gerson Claro e Londres Machado (2 deputados)
- União Brasil: Rinaldo Modesto (1 deputado)
- MDB: Junior Mochi (1 deputado)
- Avante: Lídio Lopes (1 deputado)
- Novo: João Henrique Catan (1 deputado)
O cenário pós-janela revela um ambiente político mais fragmentado e competitivo, com partidos reposicionando suas estratégias de olho nas eleições e na formação de chapas mais viáveis eleitoralmente.

