Mais etanol na gasolina preocupa donos de carros antigos
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A elevação do etanol na gasolina para 32% acendeu um alerta entre proprietários de carros antigos. Especialistas apontam riscos de corrosão, desgaste de mangueiras e falhas no sistema de alimentação.
O Conselho Nacional de Política Energética aprovou a nova proporção na terça-feira (14). Até então, a gasolina comum vendida no país tinha 30% de etanol anidro.
A mudança pretende ampliar a autossuficiência energética brasileira. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida pode reduzir em 900 milhões de litros as importações anuais de gasolina.
Além disso, o governo estima uma queda próxima de R$ 0,03 no preço do litro. No entanto, colecionadores questionam os possíveis efeitos nos veículos antigos.
Carros anteriores aos anos 1990 preocupam
O presidente da Federação Brasileira de Veículos Antigos, Andrés Pesserl, afirma que muitos componentes antigos não suportam nem mesmo a mistura atual.
“Os carros fabricados até os anos 1990 possuem componentes que sequer foram projetados para a mistura atual de 30%”, afirmou.
Segundo ele, o novo combustível aumenta a dificuldade de preservar veículos históricos. Além disso, cada modelo pode exigir uma adaptação diferente.
O especialista em combustíveis Marcelo Manna também questiona os estudos usados para sustentar a mudança.
“O estudo testou o E30, não o E32 agora aprovado. Além disso, nenhum veículo anterior à injeção eletrônica entrou na amostra”, disse.
Para Manna, testes de poucos meses não identificam problemas que surgem com o uso prolongado. Entre eles estão corrosão, degradação de borrachas e formação de depósitos.
Etanol pode levar água ao tanque
O etanol absorve umidade do ar. Por isso, carros que permanecem parados por longos períodos podem sofrer impactos maiores.
“Em um tanque de aço sem tratamento interno, essa água se acumula no fundo”, explicou Manna.
Segundo ele, a umidade acelera a corrosão e produz partículas de ferrugem. Em seguida, os resíduos podem entupir filtros e carburadores.
Outro problema envolve as mangueiras de borracha usadas em modelos mais antigos. O combustível pode acelerar o desgaste desses componentes.
Além disso, a nova mistura pode deixar a relação entre ar e combustível mais pobre. Nos veículos modernos, a injeção eletrônica corrige essa alteração automaticamente.
Nos antigos, contudo, o carburador pode precisar de regulagem. Assim, cada modelo exige uma avaliação específica.
Importados já enfrentaram dificuldades
O mecânico Bruno Tinoco lembra que carros importados nos anos 1990 sofreram com o combustível brasileiro. Naquela época, alguns modelos chegaram sem adaptações para as condições locais.
“Os importados que não passaram pela tropicalização sofreram muito com bicos injetores e bombas”, afirmou.
Segundo ele, empresas levaram amostras da gasolina brasileira para fabricantes na Europa. Dessa forma, os veículos passaram a sair das fábricas adaptados.
Tinoco recomenda combustíveis de maior octanagem para alguns carros antigos. Além disso, orienta o motorista a escolher um posto de confiança.
Outra medida consiste em evitar longos períodos com o mesmo combustível no tanque. O mecânico sugere manter, no máximo, metade da capacidade para reduzir o envelhecimento da gasolina.
Avaliação técnica deve vir primeiro
O consultor Fábio Fukuda afirma que a E32 não cria cuidados completamente novos. No entanto, proprietários iniciantes precisam avaliar mangueiras, bombas, carburadores, tubulações e bicos.
“A gasolina E32 não demanda nenhum cuidado que a E30 já não demandava”, afirmou.
Segundo ele, um profissional de confiança deve verificar a necessidade de troca das peças. A análise muda conforme o ano, o modelo e a tecnologia do veículo.
Entre os carros fabricados a partir dos anos 1990, a atenção também deve incluir as bombas e os bicos de injeção.
Colecionadores já preparam adaptações
O colecionador Fernando Toledo possui um BMW 520 de 1974 e uma Volkswagen Variant 1600 de 1972. Ele pretende adaptar os dois modelos ao novo combustível.
“No BMW, vou aumentar um pouco a taxa de compressão e trabalhar na admissão do carburador”, explicou.
Segundo Toledo, o aumento do etanol exige uma mudança no tamanho do giclê. Já na Variant, a atenção recai sobre as borrachas e a boia do carburador.
Apesar dos cuidados, ele não considera a nova mistura o maior problema do setor. Para o colecionador, o debate também deveria incluir os carros antigos usados diariamente por famílias de menor renda.
“Deveríamos discutir como fortalecer a indústria nacional para termos peças de reposição mais baratas e confiáveis”, afirmou.
(Critica Net)

